domingo, 26 de agosto de 2012

Corro sendo atingida pela chuva da saudade.

“Lembro do nosso inverno - Era eu e você correndo na chuva com um guarda chuva para nós dois, o guarda chuva verde de sapinho, eu com uma bota rosa de chuva e você com um sobre tudo preto, a gente corria juntos no mesmo ritmo e chegando no bar sentávamos e pedíamos um chocolate quente e assim ficávamos ali um observando o outro. Hoje meu bem, eu corro na chuva sozinha e sem guarda chuva e de all star, chego lá e peço café em vez de chocolate quente. A atendente lembra de nós,ela me olha curvado e vejo nos olhos dela que ela está se mordendo de tanta vontade que ela tem de perguntar“Cade aquele moço bonito de sobretudo preto que andava junto contigo?” mas não era de seu interesse. Eu via ela pensando assim, e não era nem necessário eu ter poderes para saber o que ela pensava, estava escrito sobre os traços de seu rosto. Ela me trouxe o café e o açúcar e ficou parada esperando que eu pedisse mais alguma coisa tipo o chocolate quente de costume ou aquelas balinhas de canela que você sempre comprava, mas desta vez não pedi e então olhei diante dos olhos dela e ela assim se virou entendo que eu não ia pedir mais nada e eu digo “Ele está passando seu inverno com outra” ela se vira com interesse na conversa e sabendo exatamente do que estou falando mas responde educadamente “Não entendi senhora”, e eu a respondo com um sorriso meio torto ou totalmente torto no rosto “O moço bonito que vinha no inverno comigo, está passando seu inverno com outra,está correndo na chuva com outra, ele está pedindo chocolate em outro bar com outra moça, e seu sobretudo não é mais preto, nem se quer ele usa mais sobretudo pois a moça não gosta de seu sobretudo” e ela fez uma expressão de “dó” - odeio quando sentem dó de mim, e ela responde “entendo” e se cala porém fica ali sentada junto comigo. E ela abre a boca para falar porém perde a coragem e então dou um passo livre, mudo a expressão do meu rosto para uma que aparenta “pode falar, fale logo” e então ela abre a boca e começa a falar “E como anda seu inverno agora?” e eu temi com essas palavras; não era esperado essa pergunta. Demorei um tempo e respondi “Um inverno feito de saudade alimentado por lembranças”.