sexta-feira, 21 de setembro de 2012
— Queria mata-lo, queria mesmo mata-lo; mata-lo de amor.
Seu perfume me enjoava, aqueles olhos claros me faziam lembrar do mar, e o mar só me faz lembrar de sujeira, de gente urinando. Suas roupas eram fora de moda, sempre odiei aquela camiseta amassada e aquele all star sujo. Sua família era uma chatice, principalmente sua irmã mais nova que só de me ver vinha gritando para eu arrumar o cabelo dela. Eu o odiava por inteiro, seu perfume que me enjoava ficava andando pelo ar de nossa casa, era forte demais. Aqueles olhos sempre me assustavam a noite, parecia um gato me vigiando. Nem contando com sua a voz, sem dúvidas ele não cantava e nem falava bem. Eu sempre o odiei dos pés a cabeça, do avesso também. Mas eu daria tudo para acordar novamente com aqueles olhos me observando, com aquele sorriso torto, de vê-lo se arrumar para irmos no restaurante, ele se enxia daquele perfume tão enjoante. O all star sujo dele era o pior, sempre sujo mas ele tratava com tanto carinho. Eu sem dúvidas sempre o odiei, sempre odiei ama-lo. Apesar de odiar o perfume que ele usava, era seu perfume, o perfume que destacava no meio de um milhão de pessoas. Sua voz tão irritante era a melhor quando ele dizia “Boa noite”; lembro da sua voz dizendo para a gente esquecer os encontros com os amigos e que poderíamos ficar em casa, só abraçados. Ele sem dúvidas era o cara mais chato que eu amava.